quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Custos de viagem na América do Sul


Conheça alguns dos custos envolvidos em uma viagem de moto pelos países latino-americanos

Quanto custa viajar de moto?
Bem, essa é uma pergunta bastante genérica e depende de muitos fatores para poder ser respondida. Cada pessoa tem interesses particulares que podem onerar mais ou menos um orçamento de viagem, tornando a abordagem bastante complexa. Aproveitamos então essa edição, para mencionar alguns dos custos inerentes a esse tipo de aventura, para que lhe sirvam apenas como guia. Lembramos que custos estão atrelados diretamente ao nível de conforto e comodidade que cada pessoa quer obter, tornando o tema subjetivo. Nossa meta é lhe oferecer informações que permitam o melhor aproveitamento de cada Real investido.

Um "orçamento de viagem" engloba custos de combustível, manutenção do veículo, hospedagem, alimentação, entretenimento e extras – impostos, pedágios, seguros, etc. Como é inviável tratar de todos os aspectos, levantamos aqueles que são mais comuns, deixando espaço para que acrescente custos diferenciados como alimentação e entretenimento, por exemplo, da maneira que mais lhe convier.

Combustível
Na America do Sul os preços de combustíveis variam bastante, sendo o primeiro no ranking dos preços o nosso Brasil, com combustivel custando entre R$ 2,50 e R$ 3,50, nos lugares mais remotos.
No Chile, a gasolina não tem variado muito – em torno de R$ 2,30/lt conforme o câmbio de 2011.
Argentina vem perdendo a fama da gasolina barata – o litro do combustivel pode ser encontraro a partir de R$ 1,90/lt. Mais do que o custo, problemas podem ser vistos no abastecimento em algumas épocas do ano, determinando uma pesquisa nesse sentido, quando de sua viagem.
Paraguay tem preços similares à Argentina, enquanto que na Colômbia, o combustivel subiu muito depois de 2009 e está na média de R$ 2,10/lt – conforme a cidade.
No Peru, onde o combustivel é medido em galões ( 3,6 litros),vai custar a partir de R$ 1,80/lt.
Bolivia tambem é uma ótima opção de combustivel barato, e mesmo nos lugares mais remotos, não custa mais que R$ 1,60/lt.
Abastecer no Equador é relativamente barato – a gasolina é encontrada a partir de R$ 1,05/lt.
O comustível mais barato se encontra na Venezuela. No paraíso do petróleo, a gasolina custa apenas alguns centavos de Real, e encher o tanque de uma moto não deve custar mais que um dollar americano.
Porém, tenha cuidado, pois companheiros motociclistas relataram cobranças abusivas em diversos países, sobre-taxando o combustível para estrangeiros, e em alguns casos, dobrando o valor indicado na bomba. Não é uma situação comum, mas a quantidade de relatos indica a necessidade de alerta.
Para calcular seu gasto, leve em consideração a média de autonomia produzida pela sua moto, lembrando que somente no Brasil existe a adição de etanol – isso afeta o consumo médio e deve ser computado com alguma folga. Leve em consideração também o tipo de estrada que enfrentará, assim como a topografia – estradas ruins ou regiões serranas comuptam maiores gastos.

Documentação
Documentos, impostos ou seguros podem não representar percentual relevante, mas devem ser contabilizados para evitar imprevistos.
Na America do Sul não existe pagamento para vistos ou taxas de importação temporária - referente a entrada do veículo nesses paises - porém, alguns paises exigem a PID - Permissão Internacional para Dirigir - que é emitida nos Detrans da sua região e tem um custo bem diversificado conforme o estado brasileiro. Varia de R$ 42,00 a R$ 180,00 conforme a região.
Outros paises exigem Carta Verde, que é o seguro temporário contra terceiros – deve ter a vigência especifica para sua permanência naqueles países. O custo da Carta Verde emitida para motos é relativo a corretora contratada. Geralmente, nas fronteiras, o seguro pode ser comprado em agências credenciadas, sendo oferecido em frações de 3, 7, ou 21 dias. Os preços variam a partir de R$ 6,00 por dia.
Apesar de representar mais um custo, uma boa dica nas viagens internacionais é que se faça um seguro saúde Internacional, para o caso de imprevistos - sejam eles oriundos de acidentes ou por problemas de saúde médicos, ou ainda odontológicos. Há empresas que fazem este seguro por prazos determinados, podendo contratar ítens como atendimento particular, deslocamentos para centros maiores, ou mesmo, transferência para seu local de origem. Os preços também levam em conta o perfil do usuário, cabendo pesquisar atentamente. Caso a moto possua seguro, dependendo da seguradora, pode-se ter de contratar extensão do perímetro de cobertura, para todo o Mercosul . O aspecto mais importante é a assistência 24hrs, pois em algumas regiões remotas, ter um problema, além de desagradável, pode vir a ser perigoso.
Pedágios são outro ítem que pode impactar em seu orçamento – esteja ciente das opções disponíveis de estradas pedagiadas ou não, considerando os beneficios de cada uma delas. Não esqueça que muitas vezes o barato pode sair caro!

Manutenção
O custo operacional da moto também terá impacto em seu orçamento. São basicamente três níveis de gastos – o inicial, que é preventivo, emergencial durante a viagem e final, quando do término da viagem e peças gastas devem ser substituídas.
O tamanho da moto tem pouco impacto, uma vez que longas viagens também podem ser obtidas com motos de baixa cilindrada. Relatos revelam que os custos com motos pequenas são também ligeiramente menores, mas também podem ser mais frequentes. Os principais à considerar são: Pneus, trocas de óleo, filtros, relação, pastilhas de freio e eventuais problemas com vazamentos ou desgastes internos. Durante a viagem é bom se preparar para situações emergenciais graves, que envolvam até o transporte da moto por outros meios, caso a pane impossibilite a continuação.

Hospedagem
Sem duvida é o item mais expressivo no orçamento da viagem.
Quem gosta de camping ou utiliza da “visita” aos amigos esperando uma hospedagem camarada, sem dúvida viaja mais barato!
Deve-se definir o objetivo da viagem para se escolher o tipo de hospedagens – viagens turísticas tem maior flexibilidade que as expedicionárias, onde longos trechos devem ser percorridos. O cálculo da despesa com hospedagem não é somente pelo preço do hotel, acampamento ou pousada, mas também pela quantidade de hospedagens que sua viagem envolve. Considere que quanto mais percorrer, menor será a quantidade de pernoites. Mas isso não pode  comprometer a segurança por conta do cansaço.
Os valores de hoteis no Brasil variam a partir de R$ 35,00 nos classicos hoteis de beira de estrada - que nem por isso deixam de ser confortaveis ou seguros.
Os valores das hospedagens são muito parecidos quando comparados os padrões de qualidade e licalização dos estabelecimentos – um bom hotel que custaria R$ 80,00 no Brasil, vai custar aproximadamente isso na Argentina, Chile e Colombia.
Venezuela e Equador tem hospedagens relativamente mais baratas quando comparadas as brasileiras – cerca de 20%.
Cidades pequenas e vilarjos normalmente concentram hospedagens mais baratas que cidades maiores e capitais – mas é preciso levar em conta as facilidades que cada lugar oferece. Em cidades maiores há maior oferta de produtos, serviços e atrações que em cidades menores.
Para os adeptos ao campismo, deve-se levar em conta que a hospedagem mais barata também tem seu preço, pois demanda maior tempo necessário para montar e desmontar todos os apetrechos, o que em última instância se traduz em menos quilômetros rodados e maior quantidade de pernoites necessários.

Atenção:
Os preços divulgados foram coletados através de pesquisas feitas com diferentes grupos viajantes, ao longo do ano de 2011. Devem ser usados apenas como referência de custo, podendo seu valor oscilar consideravelmente.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

A curva perfeita


Planejamento e método são fundamentais para se obter o melhor nível de segurança em curva

As curvas para um motociclista são – para a maioria de nós – a expressão máxima do domínio do piloto sobre a máquina. Não é a toa que o processo de inclinação associado, exerça tanta fascinação por parte de usuários e aficcionados. A beleza plástica é no mínimo impar.
Estética à parte, do ponto de vista técnico, é necessário um raciocínio claro e metódico para definir os parâmetros que possam ilustrar – mesmo que utopicamente – a curva perfeita.

Primeiramente, é preciso definir o contexto à ser trabalhado, uma vez que impacta diretamente sobre a técnica que será utilizada. A abordagem mais enfática será, obviamente, voltada para a segurança cotidiana do motociclista, mas para efeito de comparação, serão também abordadas as curvas de máximo desempenho – como as feitas em contexto esportivo.

Definindo elementos
Ao contrário da crença da maioria de que a execução de toda curva é composta de três fases – entrada, meio e saída – todas as curvas executadas por um motociclista são compostas de quatro fases, incluindo-se na lista anterior, a fase de aproximação, como sendo a primeira delas. Veja agora como cada fase se processa:

  1. Aproximação: Ela se inicia no momento em que o piloto visualmente detecta uma curva em seu caminho; Passa a analisar as informações que coleta, para poder promover uma mudança de estado da moto que seja pertinente ao que pretende realizar durante a curva. Os elementos coletados serão julgados e comparados ao estado em que a moto se encontra para definição de como se adequar ao que está por vir. Pode implicar em mudança de velocidade, marcha utilizada, postura corporal e outros elementos. A fase se conclui com o início da seguinte.
  2. Tomada da curva: O início da tomada, propriamente dito, se dá quando se inicia o processo de inclinação da moto, e a fase é concluida, quando se atinge a inclinação desejada, estabilizando a moto nessa configuração inclinada.
  3. Meio ou tangente: A fase do meio da curva se estende desde a estabilização da moto inclinada, até o momento onde se pretende voltar à vertical. Dependendo da extensão do raio da curva, essa fase pode durar desde décimos de segundo à vários segundos.
  4. Saída da curva: Essa fase é caracterizada a pertir do momento que se inicia o retorno à vertical, concluindo-a quando a moto volta em definitivo para a posição vertical.
Como pode ser visto, a fase de aproximação é a fase mais importante da curva porque é quando serão tomadas as decisões de como ela será realizada, sendo as outras três fases de mera execução do que foi planejado.

Configurando a moto
Utiliza-se a fase de aproximação para configurar a moto para o estado seguinte, onde estará executando a curva.
São quatro os principais parâmetros de configuração de uma moto para esse  processo – a adequação da velocidade através de processo de frenagem ou aceleração, a quantidade de inclinação desejada, aceleração pretendida e a rotação do motor através da marcha escolhida.
A curva ideal – do ponto de vista da segurança – deve ser executada privilegiando maiores opções para o usuário, enquanto a limitação dessas, impacta negativamente em sua segurança.
O ajuste da velocidade deve ter como premissa o entendimento de que opções são geradas enquanto há tempo para promover ações diferentes das inicialmente planejadas. O motociclista mediano necessita de no mínimo dois segundos para interpretar uma situação e produzir uma ação defensiva, portanto, a distância mínima de visão dentro da curva deve compreender esses dois segundos – mas quanto mais tempo, melhor. Isso significa que, se um obstáculo entrar no campo de visão do motociclista em curva, ele terá tempo suficiente para se adequar e não colidir com ele. Trata-se, claramente, de curvas que não possuem total visão de sua extensão, tendo assim o piloto, uma ferramenta para mediar sua velocidade em função de suas capacidades reacionais.
Junto com a mudança na velocidade, virá a necessidade de adequação das rotações do motor, escolhendo a marcha mais pertinente. A marcha selecionada deve promover rotações medianas do motor. Nesse estado, permite tanto aceleração quanto desaceleração durante a curva, caso alguma necessidade se faça presente. Se a rotação estiver perto de seu limite, como quando a utilização da moto é esportiva, apenas sobra ao piloto a desaceleração como forma primária de ajuste, uma vez que maior aceleração implicaria em necessidade de mudança de marcha. Um motor em marcha mais "solta" também é mais dócil para controlar no punho do acelerador, enquanto que perto do seu limite máximo de giro, estará também gerando o máximo de sua potência e torque, tornando a manipulação da manopla bastante crítica.
A aceleração pretendida durante a curva deve ser nula – mantendo-se a velocidade inicial da curva, obtem-se o melhor apoio das duas rodas e pneus com o solo. Estando em processo de aceleração, a roda traseira passa a ter maior carga, enquanto que em desaceleração, é a roda dianteira que recebe essa carga maior. Esse é o aspecto mais dificil de satisfazer durante a curva porque a grande maioria delas é afetada pela topografia – somente as curvas em plano horizontal permitem tal ajuste, enquanto as subidas exigem maior aceleração e as descidas, menor.
Por fim, a inclinação – o ideal para a segurança é tentar obter uma inclinação mediana da moto em relação a sua capacidade total de se inclinar. Vale lembrar que a inclinação máxima se dá quando um terceiro ponto de apoio é criado contra o solo. Os outros dois são os pneus dianteiro e traseiro. Geralmente esse ponto é alguma extremidade lateral, sendo o mais comum a pedaleira. Essa é a razão para a grande maioria das motos terem essas peças montadas de forma dobrável – para não oferecerem um contato rígido contra o solo. Tendo-se então a percepção de qual é o máximo que sua moto se inclina, pode-se determinar o que seria uma inclinação mediana – aquela entre a máxima e a posição vertical da moto. Mais uma vez, a razão reside na necessidade de se criar opções, tanto para fechamento, quanto para abertura do raio da curva, se necessário for. Estando-se em uma curva de máximo desempenho – como em situação desportiva – busca-se se exatamente esse limite de inclinação para maior desempenho, mas com isso, limitam-se as opções quanto a imprevistos.

Conclue-se então, que a curva perfeita, ou ideal, é a que é tomada com o máximo de disponibilidade de opções, oferecendo ao motociclista uma ampla gama de possíveis soluções para alguma adversidade. Uma atitude ponderada, calma, com folgas para imprevistos, é o principal ingrediente no processo de tomada de decisão. Buscar inclinação mediana com rotações medianas, aceleração neutra e velocidade compativel com sua capacidade de reagir a eventos inesperados, constitúi a base de uma curva tomada racionalmente.

Teste sua percepção
O teste à seguir, tem como propósito ilustrar como processamos de forma intuitiva uma série de informações dignas de análise bem mais profunda que a que normalmente disponibilizamos para cada curva que fazemos.
Imagine-se em uma estrada qualquer, prestes a fazer uma curva qualquer. Tente enumerar todos os parâmetros que influenciam sua decisão de como irá tomar a curva que se aproxima. Quais são os elementos que farão com que acelere, freie ou troque de marcha, para se adequar ao que a curva comporta?
Se não pensou em todos os elementos descritos na resposta, significa que processa essas informações de forma sub-consciente, podendo em algum momento subjulgar  um dado que pode ser crucial para a conclusão da curva. Experimente!





Resposta à questão formulada:
Esses são os dados que todos nós processamos, na análise de adequação de toda e qualquer curva.
  1. Curva conhecida ou desconhecida?
  2. Raio – de baixa, média ou alta velocidade?
  3. Raio – constante, crescente ou decrescente?
  4. Plano – curva em nível, ascendente, descendente ou combinção dos elementos?
  5. Inclinação lateral da estrada – neutra, compensada ou descompensada?
  6. Visão da extensão de seu raio – com ou sem visão?
  7. Pavimento – regular ou irregular?
  8. Meio – dados fornecidos pelo meio, como sinalização horizontal e vertical; comportamento de outros veículos
  9. Estado da moto – conservação, desgaste de freios, pneus, etc.

Segurança pessoal nas viagens de moto


Dicas de segurança nas viagens nacionais e internacionais

Não temos a pretensão de ensinar ninguém como cuidar do bem estar pessoal, mas reunimos nesse texto algumas situações vividas por companheiros motociclistas em suas andanças, que podem se tornar um problema para àquele que não dá atenção ao tema. O assunto segurança passa por diversas variantes que vão desde a escolha do roteiro até a escolha do horário para se encerrar o dia de viagem. Obviamente, regiões distintas reservam surpresas e perigos distintos também, mas existem situações comuns à maioria, que podem ser enfrentadas em uma estrada.

Vamos analisar alguns pontos que julgamos relevantes, começando com a escolha dos locais de pernoite. Considere que, em locais desconhecidos, quanto mais cedo você localizar um local seguro para dormir, mais tranquila será sua estadia. Chegar nas cidades de pernoite tarde, pode significar não ter tempo - nem disposição suficiente - para achar o  hotel, pousada ou albergue mais adequado às suas necessidades. Por isso, algumas dicas são importantes : procure chegar nas localidades onde pretende pernoitar no início da noite e, se possível, faça um levantamento prévio (durante a fase de planejamento) dos estabelecimentos disponíveis na cidade. Se você possuir um aparelho GPS, bons mapas costumam conter os dados para ajudá-lo a localizar esse estabelecimentos. É importante ter em mente que mesmo chegando tarde em seu destino de pernoite, vale a pena perder trinta minutos a mais para localizar um lugar adequado, mesmo estando cansado. Pode ser a diferença de uma noite bem dormida ou uma péssima, que pode comprometer todo seu dia seguinte. Taxistas e comerciantes, de forma geral, são boas fontes de referência nessa hora. Todo moto viajante já passou - ou está sujeito à passar -  por eventuais situações desagradáveis no momento do pernoite. Não deixe o cansaço ou a preguiça lhe exporem à um risco desnecessário.

O abastecimento é outro ponto crucial – planeje-o com a maior precisão possível enquanto estiver preparando seu roteiro, principalmente se estiver viajando sozinho. Na estrada, não costumamos ter muitas opções de postos de combustível e estamos sempre sujeitos a parar para abastecer em locais que podem não ser muito confiáveis. Se presentir que o local não é bem frequentado, somente abasteça e siga viagem. Deixe para beber ou comer alguma coisa em um local mais seguro. Muitas vezes queremos “aproveitar” a parada de abastecimento para ir ao banheiro ou alimentar-nos – resista à esse impulso de “ganhar tempo” se não sentir-se plenamente seguro.

Pra quem viaja sozinho, deixar a bagagem na moto sem supervisão de ninguém conhecido, faz parte da rotina de toda e qualquer parada que se faça. Seja para abastecer, alimentar-se, perguntar preços, fotografar, fazer os trâmites aduaneiros, etc. Um bom conselho é procurar ser simpático e agradável com frentistas dos postos de gasolina, guardas aduaneiros e outros funcionários do local onde você estiver, inclusive pedindo que eles “dêem uma olhada” na moto enquanto você não está presente. Não é uma garantia, mas é bem melhor do que não fazer nada. Outra medida que pode ter efeito é levar na viagem um bom cadeado com alarme de movimento – se estiver em local que lhe obrigue a deixar a moto por pouco tempo, o uso do cadeado pode lhe alertar quanto a alguém mexendo em suas coisas.

A imigração (saída de um país e entrada em outro) é um dos momentos mais tensos quando se está sozinho. Você precisa de muita atenção no preenchimento da papelada, e ainda tem de se preocupar com a motocicleta. Estacionar a moto num local visível e com a presença constante de pessoas é uma maneira de aliviar um pouco essa tensão. Fique alerta quanto aos horários de uncionamento desses estabelecimentos – alguns deveriam operar 24 hrs, mas na realidade não o fazem, com interrupções para almoço, etc. Outro fator de estresse nesse momento é a troca de moedas – você normalmente encontrará alguém - nem sempre uma empresa - para fazer a troca de moedas para você nesses locais. Troque uma quantidade pequena de dinheiro (U$ 20/50) e não se preocupe com cotações melhores. Lembre-se, você quer sair dali e prosseguir viagem o mais rápido possível, e se preocupar com pequenas perdas financeiras será uma bobagem que pode lhe colocar em risco.

Existe um número enorme de golpes aos quais você estará sujeito – desde calculadoras “mexidas” até moedas falsas. Faça o câmbio de um valor suficiente para chegar à próxima cidade, e siga viagem. Faça o possível para levar esse dinheiro para o câmbio, separado do restante de seu dinheiro. Evite contar papel-moeda na frente de muitas pessoas e prefira lugares para a transação que ofereçam alguma estrutura. Se estiver usando cartões, sempre se certifique de não estar sendo observado no momento de digitar senhas e verifique se o cartão que está recebendo de volta, é mesmo o seu. Se a transação feita for do tipo que requer assinatura em boleto, certifique-se de retirar a sua via com a cópia de seu cartão de crédito, bem como qualquer carbono que contenha informações do mesmo.

Nós e nossas motos sempre atraimos a atenção das pessoas. A maioria é bem intencionada e curiosa à respeito de nossa viagem – quem somos, porque viajamos de moto, etc. Outras, nem tanto. Perguntas como: de onde você vem, pra onde está indo, quanto vale a motocicleta, etc. podem parecer - e de fato serem – ingênuas, mas fornecem informações importantes para alguém inescrupuloso. Procure responder de maneira mais genérica possível, sem ser antipático. Respostas do tipo : “Não sei quanto a moto vale, nunca pesquisei...” ou “estou seguindo rumo ao norte...” são bem vindas e não revelam muito sobre seus planos e/ou patrimônio. Nessas ocasiões evite também manusear equipamentos eletrônicos, como máquinas fotográficas, celular ou GPS.

O celular é uma ferramenta inestimável – não viaje com ele ligado, se não for operacionalmente necessário – poupando sua bateria, poderá contar com ele em uma emergência. O mais prudente é ter um segundo aparelho, mais simples, guardado em local seguro, caso esteja viajando por locais conturbados.

Essas dicas tem por finalidade apenas lhe lembrar de toda sorte de circunstâncias que um moto-turista está sujeito – não subjulgue as situações ao seu redor por apenas estar de passagem. Em determinados momentos podemos ser envolvidos por acontecimentos alheios a nossa vontade. Use sempre o bom senso e mantenha o foco no prazer e relaxamento que uma viagem assim pode lhe proporcionar. Nunca permita que circunstâncias negativas sejam motivo de preocupação nem para você e nem para quem está aguardando notícias suas. A sorte sempre favorece o bem preparado! Divirta-se!