domingo, 22 de fevereiro de 2009

Quedas: tema proibido.


Nem sempre é possível evitar uma queda. O piloto que está preparado pode ter menos conseqüências.

Não consigo imaginar alguém saindo de moto com a intenção de se acidentar. Talvez a exceção seja um dublê de cinema! Nós, meros usuários, temos que estar sempre preparados e tomar todos os cuidados possíveis para não nos vermos envolvidos nessa infeliz situação. Mesmo assim, por vezes, os eventos estão além de nosso controle, e uma queda pode facilmente se transformar em tragédia. Reuni nessas poucas linhas um resumo de 34 anos de experiência motociclística e incontáveis quedas, que acabaram por me educar, e principalmente, permitiram que traçasse um perfil dos acontecimentos que agora divido com vocês. Os cuidados relatados a seguir estão associados a quedas em asfalto, tendo as quedas em terra similaridades, mas também diferenças.

Cada acidente é único. Tem dinâmica e conseqüências próprias, que dificilmente podem ser antecipadas ou contidas. Notei que na grande maioria dos casos, alguns décimos de segundo antes da "porcaria" acontecer, percebemos que a queda será inevitável, e se nesse instante puder se recordar dessas regras, estará fazendo tudo a seu dispor para minimizar as conseqüências do evento.

Fique próximo do solo
Salvo os acidentes decorrentes de colisão, todas as quedas têm em sua composição um processo de inclinação. Logo no início da queda deve se tentar ficar o mais próximo possível do solo para evitar impactar contra ele de uma forma mais dura. Impactos desse tipo podem facilmente resultar em fraturas, enquanto estando próximo ao solo, os resultados estão mais associados a escoriações.

Liberte-se da moto
Nosso instinto de sobrevivência nos diz para nos segurarmos em algo, e o objeto à mão é a própria moto. A maioria das contusões em um acidente acaba sendo causada pela própria moto – devido à proximidade e ao fato de ela possuir inúmeras peças salientes que podem provocar ferimentos. É preciso libertar-se dela o quanto antes e, preferencialmente, descrever trajetórias distintas durante a queda.

Mantenha uma forma compacta
A situação permitindo, mantenha os membros inferiores e superiores junto ao corpo. Os pés devem ser mantidos juntos, os joelhos levemente flexionados, os cotovelos junto às costelas e as mãos soltas como um pugilista faria, em frente ao rosto. A energia dispensada para tornar isso viável não pode endurecer o corpo a ponto de oferecer extremidades rígidas que podem se quebrar – ou seja, é preciso manter-se compacto, mantendo ainda flexibilidade suficiente para que a energia do impacto possa ser absorvida e dissipada pelo corpo.

Deslizamento x Rolagem
Na minha "coleção" particular de eventos, constatei basicamente essas duas formas de entrar em contato com o solo. As circunstâncias determinam uma ou outra maneira de contato, mas é importante ter em mente que nenhuma deve ser interrompida prematuramente, estendendo um membro, ou ainda tentando se levantar durante o processo de queda. O aumento da área corporal, nesse caso, gera maior potencial para impactar com outros objetos, ou ainda, de forma indesejada com o solo, causando ferimentos mais sérios.

Examine sua situação
A situação permitindo, não se levante imediatamente. Examine mentalmente sua situação, tentando sentir os dedos dos pés, calcanhares, joelhos, cotovelos, punhos, dedos das mãos, ombros, pescoço e quadril. Identifique depois fisicamente os lugares que mais receberam impactos e somente se levante, se tiver certeza que poderá fazê-lo sem causar outros ferimentos.
Por vezes, as circunstâncias dinâmicas ao redor requerem ação imediata, por oferecerem ainda maiores riscos se permanecer no lugar da conclusão da queda. Nesses casos, levante-se, e tão rapidamente quanto possível, afaste-se em direção oposta ao do fluxo de outros veículos, ficando fora da trajetória deles.
No caso de estar acompanhado de garupa, certifique-se antes de seu estado, para só depois tentar socorrer quem estava com você – se não estiver em condições, haverá pouco que poderá fazer por outra pessoa.

Cuidados com a moto
A primeira providência com a moto é desligar o interruptor de corrente, normalmente de peças plásticas que não oferecem risco de faísca no seu acionamento. Em seguida, desligue a chave de ignição, e se for pertinente, feche a admissão de combustível para evitar vazamentos. Proceda para levantar a moto certificando-se que esteja engatada, para que o apoio seja firme nos pneus.

Ajuda
Se ao terminar a queda estiver consciente, evite aceitar a ajuda de estranhos relacionada a seu estado, a não ser que consiga identificar na pessoa um conhecimento médico apropriado. Da mesma forma, se ajuda lhe for oferecida para levantar sua moto, assuma o controle da situação indicando o que deve ser feito, e como. Dê instruções de onde pode ser manuseada e como se deve proceder. Levantá-la de qualquer jeito pode acarretar quebra de uma peça que inviabilize seu funcionamento, ou a lesão de uma pessoa tentando ajudar.

Por fim, espero sinceramente que nunca tenha que colocar esse conhecimento em prática, mas como todos estamos sujeitos à dias menos felizes, e certo interesse surgiu por parte dos leitores nesse assunto, achei pertinente dividir a experiência acumulada. Faça bom uso!

Um comentário:

  1. Rodrigo de Freitas31 de maio de 2011 01:49

    quote: "Não consigo imaginar alguém saindo de moto com a intenção de se acidentar." ....
    Não consegue é? Tente isto. (é verídico). Um sujeito, aqui na cidade onde moro, se jogou contra uma caçamba de lixo, apenas para receber o $$$ do seguro DPVAT. O (imbecil) indivíduo quase perde a perna :O

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