terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Pilotando em uma pista de corridas – Experientes


Dicas para pilotos experientes treinarem e se aperfeiçoarem em uma pista de corridas – 1ª parte

Importante: Os procedimentos a seguir destinam-se a pilotos experientes que já tenham pilotado em autódromos e que tenham pleno domínio, tanto da máquina quanto dos procedimentos em uma pista de corridas. Não devem ser utilizados por aqueles que ainda são novos ao meio, cabendo a esses, rever o texto publicado anteriormente nessa coluna.

O objetivo dessas dicas é criar a metodologia necessária para o aprimoramento da velocidade nos circuitos, portanto, parto da premissa de que o piloto leitor conhece o circuito em qual vai pilotar e de que tem pleno conhecimento de todos os aspectos operacionais de sua moto. Por se tratar de tema extenso, será abordado em duas partes, sendo concluido na próxima edição.

A estratégia visa ordenar as ações para que possam de fato refletir a evolução de um piloto em dado circuito. Para tanto, é preciso criar mecanismos rígidos de conduta que irão constituir um padrão a seguir para outras pistas.

Comecemos então por defenir o tempo de trabalho para cada operação, tendo sempre em mente que esse aperfeiçoamento não ocorre de uma hora pra outra ou de um treino pra outro – é um trabalho minuncioso e paciente.
 A primeira coisa a estabelecer é quantas voltas serão necessárias em dado circuito, para aquecer devidamente os pneus e outros componentes da moto. Dependendo da moto e do circuito isso irá variar, recomendando então que experimente com um inicial de duas voltas completas. Entre ao término da segunda volta e meça a temperatura dos pneus. Devem atingir a temperatura ideal de trabalho recomendada pelo fabricante dos pneus. Caso estejam abaixo, talvez necessite de uma volta complementar – a idéia é descobrir quantas voltas deve dar para que o equipamento reflita as condições de uma corrida. Essa saída inicial deve ser feita com as regulagens da suspensão em sua posição mediana ou com setup que já tenha testado e se sinta confortável com. Lembre-se de anotar antes de sua saída esses dados para que não se perca no que está fazendo.

Agora que já sabe quantas voltas deve dar para estar em ritmo de corrida, pode dimensionar quantas voltas terá de dar a cada saída para conseguir sempre um resultado consistente. Entenda por resultado consistente voltas que não tenham variação superior a 0,5 s. Obviamente, para obter esse resultado é necessário que as voltas sejam cronometradas.
Nesse sentido, o ideal é que a cronometragem aconteça de forma automática com cronômetro e sensores na moto e pista, evitando a ação humana que pode acrescentar erro. Se não possuir tal equipamento, uma pessoa será necessária para esse fim, e deve ser orientada para anotar com precisão cada volta que der. O objetivo é conseguir voltas consistentes, e não necessariamente rápidas. Para cada teste de regulagem que for executar, será necessário dar pelo menos três voltas além das de aquecimento, buscando sempre a consistência dentro dos limites que o equipamento apresenta no momento.

A primeira saída deve também englobar o seccionamento da pista em setores,  - normalmente três. O objetivo é poder trabalhar cada setor individualmente, exigindo o máximo de si e do equipamento por menos tempo, fazendo os outros dois setores daquela volta, em ritmo menos exigente. Dessa forma economiza equipamento e energia. Mas nessa fase de seu treino, esse procedimento é ainda desnecessário, visto que deve trabalhar primeramente a pista toda, para somente depois utilizar a forma seccionada para trabalhar trechos específicos. O que é importante é se familiarizar e determinar onde cada trecho começa e termina, para utilizar essas referências em etapas avançadas.

Ao término da primeira sessão, reflita sobre as três voltas rápidas que acabou de produzir. Refaça-as mentalmente e supondo que tenha conseguido um resultado que possa ser considerado consistente (variação inferior a 0,5s), tente identificar pontos na pista onde acha que está perdendo tempo. Na próxima sessão, tente ser mais rápido nesses trechos modificando apenas a pilotagem – mas nenhum componente de ajuste. Meça os resultados obtidos no cronômetro, e se obteve aprimoramento, registre na memória como e o que fez pra produzir esse resultado.

Antes de mudar o setup da moto, experimente com diferentes técnicas de abordagem para uma curva. Tenha em mente que a máxima da velocidade diz: "Se você não estiver acelerando, deve estar freando, e vice-versa." Mas como todos sabem, nem sempre isso é viável. Sempre que atrasar uma freada, comprometerá a saída de curva, enquanto uma frenagem inicial mais branda pode consumir mais tempo no início da curva, mas compensar em uma saída mais rápida. Experimente as duas formas de abordagem e veja qual consome menos tempo. Tenha ciência que em uma corrida, poderá ter de optar necessariamente pela forma menos rápida em função do que estiver acontecendo naquele momento, obrigando–o, por exemplo, a defender sua posição. Deve tentar mediar a questão da velocidade em curva também pelo comportamento que a moto tem em dada circunstância. Considere se o tempo ganho em uma frenagem extra-curta paga o desequilíbrio gerado no ápice da curva, ou se é mais vantajoso estender alguns metros a frenagem, e garantir um equipamento mais equilibrado para o ápice e saída de curva.

As considerações que deve tecer a respeito dessas formas de abordagem de uma curva estão diretamente ligadas à velocidade que a mesma comporta, bem como ao que vem depois da mesma. Em curvas que antecedem trechos de reta, ou de outra forma velozes, deve se privilegiar a ótima saída de curva para aproveitar ao máximo o trecho veloz, e ganhar tempo. A implicação é que a entrada dessa curva acaba de alguma forma sacrificada. Em contrapartida, se a curva prestes a fazer anteceder trecho de menor velocidade, onde não haverá espaço para ganhos, é mais vantajoso sacrificar o equilíbrio, atrasando quanto puder a frenagem, aproveitando assim ao máximo o trecho que antecedeu a curva.

Agora que mapeou o circuito e consegue ser consistente, está na hora de ver o que outros pilotos estão produzindo. Escolha um adversário que esteja apenas um pouco mais veloz em tempo de volta, e certifique-se de que é mesmo o máximo que ele consegue produzir. Muitos pilotos mascaram suas voltas para induzir competidores ao erro, reservando um extra para o dia da corrida. Cronometre os setores dele ou peça que o façam para você. Compare os trechos e identifique onde ele é mais veloz. Evite comparar as motos, mas sim as técnicas de abordagem de um setor. Se for viável, tente acompanhá-lo durante uma volta, para ver de perto como ele atua. Não é a forma mais elegante de tratar o assunto, mas com certeza é eficiente. Pilotos experientes não se deixam copiar, frequentemente analisando quem vem atrás deles – principalmente quando uma competição está por vir. Se for o caso, desista. Acabará apenas por perder seu tempo e desgastar seus pneus e o restante do equipamento.

Somente quando esgotar essas possibilidades será o momento de começar a mexer em sua moto tentando diferentes regulagens para obter maior velocidade. Na próxima edição, tratarei desses ajustes e estratégias de corrida na conclusão dessa matéria. Até lá!

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Pilotando em uma pista de corridas - Iniciantes


Procedimentos que ajudam o piloto iniciante a se preparar para a pilotagem esportiva

O sonho de quem tem uma moto esportiva – e de muitos que não tem – é pilotar em um ambiente esportivo, numa pista de corridas. Apesar do acesso a um autódromo ser hoje mais fácil que outrora, boa parte dos iniciantes não recebe as informações necessárias para se divertir com segurança, e principalmente, com método, para obter de fato um melhor desempenho.
Reuni, então, um conjunto de informações para guiar aqueles que desejam dar mais esse passo em suas carreiras motociclísticas.
Antes mesmo de considerar uma ida à um templo da velocidade, considere inscrever-se em um dos muitos cursos de pilotagem existentes. Aprenderá procedimentos de segurança relativos à uma pista de corridas, como significado das bandeiras utilizadas e o que não fazer em situações específicas, entre outros.

Primeiros passos
Ingressar pela primeira vez em um autódromo é muito significativo para um piloto – a adrenalina corre solta e facilmente pode deturpar uma mente sensata. Tente se acalmar e focar em objetivos que deve atingir nesse primeiro contato.
O primeiro objetivo deve ser o de familiarização. Encontre uma planta ou desenho do autódromo que mostre todo seu traçado. Estude onde são os boxes, qual o sentido da pista (direita ou esquerda da frente do box), onde é a entrada para os mesmos a partir da pista e posições chave para referência. Tente decorar o traçado mentalmente – imagine-se na pista executando cada uma das curvas na sequência que se apresentam.
Ao sair pela primeira vez com a moto para a pista, observe cada detalhe de sua construção. Note que o pavimento é ligeiramente diferente ao longo de sua largura, evidenciando parte da pista como sendo mais "limpa", sem detritos, em contraste com áreas mais sujas, com detritos. Essa área limpa é por onde todos vão passar quando em ritmo veloz, e deve ser evitada nessas primeiras voltas de reconhecimento para não atrapalhar àqueles que estejam treinando. Como sua velocidade deve ser significativamente mais baixa do que daqueles à sua volta, fique fora do traçado prestando bastante atenção aos que vem por trás, dando-lhes bastante espaço, e se for viável frente a sua habilidade, sinalize por onde devem lhe passar.
Todo autódromo conta com faixas pintadas no solo, tanto na entrada quanto na saída dos boxes, separando a pista. Observe que ao entrar na pista, é proibido cortar essa faixa, devendo acompanhá-la até que termine – quando poderá ingressar de fato para a pista. O mesmo vale para a entrada dos boxes, mas em alguns autódromos é permitido o corte devido ao traçado. Informe-se  previamente quanto a procedimentos específicos de cada pista.
Voltando à sua primeira volta, observe as laterais da pista procurando identificar objetos estáticos ao seu redor que possam lhe ajudar na referência de posicionamento e distância, tanto para onde serão executadas as trocas de marcha, quanto para a posição onde se dará o início de uma frenagem.
É de praxe existir placas de distância antecedendo uma curva. Normalmente são dispostas na lateral da pista em ordem decrescente de 50 em 50 metros. Por convenção, são colocadas do lado oposto ao do sentido da curva que precedem. Nas curvas para a direita, estarão posicionadas do lado esquerdo da pista no trecho imediatamente anterior à própria curva. Use essas placas para começar o planejamento de frenagem de sua curva. Seja nesse início bastante conservador, diminuindo consideravelmente a velocidade, bem antes da curva. Tenha em mente que os pneus estão frios, assim como seu corpo, mente e outros componentes da moto. Para completar, ainda estará trafegando na parte suja da pista, com pouca aderência.
Use esses momentos iniciais para também identificar onde estão os postos de controle que sinalizam com bandeiras. É fundamental que dê atenção a eles em cada volta que der – essa é a principal forma de comunicação na pista, e é como será avisado pelos organizadores de como deve proceder nos diversos casos previstos. Obviamente, é necessário saber o que cada bandeira significa, sendo sua responsabilidade aprender seu significado.

Voltas iniciais
Nessas primeiras voltas, atenha-se a memorizar todos os pontos e a direção de cada curva. Não há porque tentar ser rápido ainda. Lembre-se que a rapidez virá com o tempo e com a familiarização com o ambiente. Procure usar sua percepção na construção das memórias de onde fica o que.
Agora que já decorou os principais pontos de atenção, é hora de se preocupar com a melhor linha de condução, ou traçado da pista, como a maioria se refere a essa linha imaginária.
Para identificar o traçado correto, tome como parâmetro que antes de toda curva, o traçado ideal estará próximo à margem externa da pista – em curvas para a direita, a margem externa se encontra do lado esquerdo, e vice-versa. Aproximadamente no meio da curva, deverá estar próximo à margem interna da pista, e aonde ela termina, deverá novamente estar do lado externo, tendo como referência a curva que realizou. A finalidade do procedimento é garantir que descreva no solo, o maior raio possível em relação a disponibilidade física da pista – quanto mais aberto o raio, maior a velocidade que pode comportar uma curva.
É fundamental que entenda a necessidade de aquecimento de todos os componentes, para poder gerar melhor eficiência. Use essas primeiras voltas para garantir um uniforme e gradual aquecimento dos pneus e freios – principalmente.
Aumente o ritmo de pouco em pouco, não tenha pressa em ser rápido como aqueles que o cercam. Considere que os mais rápidos também tiveram de passar por esse processo anteriormente. Ninguém chega a um autódromo onde nunca tenha andado, e vira no tempo do recorde da pista. Nem o Valentino Rossi.
Evite nessa fase o uso do cronômetro. Seu foco deve estar na coleta de informações a respeito do meio em que opera. O quanto vai ser rápido nele, vai depender de quanto irá praticar. Cronometrar voltas pode forçá-lo intimamente a exagerar em alguma coisa para qual ainda não está preparado. A hora do cronômetro chegará quando tiver completo domínio do traçado, pontos de troca de marcha e pontos de frenagem.
Jamais pare na pista por qualquer razão – se tiver uma pane mecânica, encoste na lateral interna da pista, evitando ficar exposto à linha externa até que o socorro venha resgatá-lo. Parar na pista ou exercer velocidade muito abaixo a esperada para cada trecho, pode resultar em desastre. Mantenha velocidade que lhe dê conforto para executar tudo que é necessário, mas fique atento se ela não destoa em demasia das demais praticadas.

Outros pilotos
Talvez seja a convivência na pista com outros pilotos, o maior desafio nessa fase inicial. Existe uma exagerada preocupação em não ser atropelado por pilotos mais experientes e velozes que você, bem como não atrapalhá-los. É muito comum ver pilotos inexperientes toda hora olhando para trás. Evite fazer isso quando já tiver domínio do traçado – basta que se atenha a ele.
A regra que adotamos é de que a ultrapassagem de um piloto mais lento é sempre de responsabilidade do que vem atrás, com maior velocidade. É ele que deve determinar as distâncias apropriadas, bem como velocidades de aproximação e pontos para a ultrapassagem. A sua preocupação deve ser apenas de manter o traçado correto, evitando a todo custo mudanças na trajetória que podem confundir o piloto prestes a ultrapassá-lo. Como esses contatos acontecem muito rapidamente, é comum os novatos se assustarem com a presença de outra moto no momento de uma curva, e em tal proximidade. Mantenha-se frio e preocupe-se apenas em executar sua curva – o piloto que vem atrás, verá através de sua postura e forma como pilota, a melhor maneira de executar a ultrapassagem. Assim que ele estiver em seu campo de visão, fique atento para não olhar para ele, e sim, para a pista e seu traçado. Em várias instâncias, presenciei pilotos perdendo a trajetória em curva, apenas por ficarem olhando para o piloto que executou a ultrapassagem. Foque exclusivamente aquilo que cabe a você fazer.
Alguns pilotos, até de renome, não tem paciência com os novatos e exageram nas aproximações como se estivessem brigando por um título mundial. Infelizmente, não há o que possa fazer quanto a isso – mas se acha que a atitude de algum piloto colocou sua vida em risco de alguma forma, denuncie ao organizador do evento de qual esteja participando. Ninguém tem o direito de colocar seu bem-estar em risco. Evite o confronto pessoal – não leva à solução e corre o risco de punição por conduta anti-desportiva.
Felizmente, a maioria dos que frequentam um autódromo reconhece nesse conjunto de regras sua própria segurança e atêm-se a ele. Como os procedimentos são similares, poderá exercê-los em qualquer pista do mundo, observando as particularidades de cada autódromo.
Espero que possa usar essas informações para evoluir tecnicamente, aumentando seu nível de segurança, tornando-o mais rápido e eficiênte. Na próxima edição, plano de trabalho para os mais experientes.

Nos vemos na pista!


sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Pilotando no exterior – Parte 1


Dicas de pilotagem e comportamento em outros países

Vivenciamos uma ótima fase na economia brasileira, o que tem nos permitido viajar ao exterior com mais facilidade e freqüência. Quando estamos além de nossas fronteiras, percebemos uma notável diferença no que diz respeito ao trânsito, principalmente
pelos hábitos dos motoristas e motociclistas. Nessa série de reportagens, abordaremos a convivência de “locais” e turistas, nos principais países latino americanos, bem como costumes no trânsito da América Central, do Norte e alguns países da Europa.

Na maioria dos países que nos cercam, o trânsito tem características diferentes que devem ser respeitadas e quando positivas, copiadas, a fim de um bom convívio entre as partes. Essas diferenças se estendem também ao comportamento dos nossos vizinhos quando avistam viajantes de motocicleta. Antes de tudo, queremos deixar claro que o que impera, em qualquer situação e em qualquer país, é a regra do bom senso - trate os demais como quer ser tratado: com educação, respeito e gentileza. Sempre.
À seguir, comentamos algumas dessas diferenças regionais notadas em nossas viagens, começando pelos nossos vizinhos sul-americanos.

A Argentina é um país com população muito amigável, o povo argentino, em sua maioria, é educado, cordial e está sempre disposto a ajudar, seja com uma informação importante ou mesmo com respostas e dicas que julgam nos interessar. Lembre-se de deixar o estereótipo criado pelo nosso "preconceito futebolístico" do lado de cá da fronteira e tenha sempre um sorriso no rosto, que você será muito bem tratado. O povo argentino demonstra curiosidade sobre nossas viagens, nosso roteiro, o que nos levou a viajar de moto pelo país deles, com um interesse genuíno e sincero.
Nas estradas, os motoristas que trafegam em sentido contrário, constantemente   lampejam seus faróis para nós. Diferentemente do que ocorre no Brasil, onde usamos esse recurso para sinalizar algum bloqueio na estrada à frente, eles o fazem apenas para nos cumprimentar. Quando for parado em bloqueios de estrada por policiais argentinos, pare no meio da pista. Só se dirija ao acostamento se o policial assim indicar.
Motociclistas argentinos costumam, em sua maioria, trafegar pela direita da pista (acostamento) quando o trânsito de veículos maiores está parado ou lento, lembre-se disso e, sempre que estiver trafegando pela esquerda, faça-se notar com buzinadas ou lampejos de farol.
Em vários países da América Latina, inclusive na Argentina, caminhoneiros costumam dar seta para a esquerda quando a ultrapassagem pode ser executada, e para a direita quando não se puder ultrapassar. Fique muito atento, pois isso é exatamente o oposto ao que estamos acostumados no Brasil. O costume remonta ao tempo em que caminhões tinham a seta esquerda verde, e a direita, vermelha.
Procure seguir atentamente as normas de trânsito, evitando ser incomodado pelos policiais argentinos, nem sempre interessados em aplicar multas - eventualmente podem estar querendo receber propinas. Existem relatos desse tipo.

Trafegar de moto no Uruguai é muito tranqüilo. Suas estradas quase sempre possuem pouco tráfego de veículos, e as paisagens, são muito bonitas. Nunca se esqueça de rodar sempre com o farol da moto ligado, que, apesar de ser obrigatório também em outros países, é um ítem que no Uruguai recebe atenção especial dos policiais. A frota uruguaia, especialmente no interior, tem motos bastante antigas, o que não impede seu povo de ter grande afinidade e interesse pelo motociclismo. O Uruguai é um país com uma densidade demográfica baixa, possui cerca de três milhões e meio de habitantes e aproximadamente a metade deles está localizada na capital, Montevidéu. Por isso, fique atento para não depender de ajuda nas diversas “rutas” que cruzam o país - pode ser difícil encontrar alguém, ou lugar especializado, para ajudá-lo. O povo uruguaio também é muito gentil e educado, apesar de ser um pouco menos expansivo e alegre que o povo argentino no trato com o turista.

Os hábitos dos motoristas paraguaios se assemelham bastante aos dos brasileiros.. A malha viária conta com estradas medianamente movimentadas, que privilegiam a passagem por dentro das suas principais cidades. Apesar de seu tamanho reduzido, o Paraguai conta com uma boa rede de postos de combustíveis. Alguns colegas viajantes relataram problemas com as autoridades locais nos inúmeros postos de fiscalização à beira das estradas, do mesmo modo que outros, disseram não terem tido problema algum em rodar por este país. Não tome por base que o Paraguai, como um todo, seja igual à desorganização que se nota em Ciudad del Este. (Na fronteira brasileira). Em termos de desenvolvimento, pode-se dizer que, se afastando mais da área fronteiriça, se assemelha aos nossos outros vizinhos.

O Chile é um país de contrastes, por isso mesmo possui características muito distintas entre norte e sul.  A região metropolitana da capital Santiago é cosmopolita, possuindo os prazeres e as agruras de qualquer cidade grande - inclusive no trânsito. Ao mesmo tempo em que os motoristas param virtualmente em todas as faixas de pedestre quando alguém está atravessando, são adeptos a buzinar com mais intensidade do que nós, brasileiros, julgamos adequado. Não se incomode com as buzinas, os motoristas não estão “brigando” com você - é apenas um hábito diferente do nosso. Seu povo é extremamente educado, polido e cordial, mas sem aquele  “calor latino” que encontramos em "casa" ou em nossos países fronteiriços, como Argentina, Paraguai e Uruguai. As estradas chilenas estão quase sempre em excelente estado de conservação e as chamadas “autopistas”, são sempre pedagiadas. Muitas vezes, os valores estão acima do razoável e as estações de pedágio muito próximas umas das outras, portanto, recomendamos paciência e bom humor - lembre-se que está de férias. O Chile é cortado de norte à sul pela Ruta 05, a Rodovia Panamericana. As estradas viscinais, que levam às cidades do interior chileno, saem da Ruta 05 serpenteando para cima em direção aos Andes, ou para baixo, em direção ao oceano Pacífico. As estradas menores apresentam-se em bom estado de conservação, bem sinalizadas e levam, muitas vezes, a lugares e cidades pitorescos e que valem a visita.
Os “carabineros” - policiais chilenos - são um caso à parte. São extremamente idôneos e rígidos no cumprimento da lei, por isso, não tente usar o famoso “jeitinho brasileiro” em situações onde tenha cometido uma infração - acate sua punição para evitar piorar a situação. As placas de parada obrigatória “Pare ou Alto!” são cumpridas a risca, mesmo não havendo fluxo de veículos. Pare por completo ao ver uma dessas placas, retomando o movimento em seguida.

Os Bolivianos costumam respeitar datas religiosas e feriados. Evite rodar nesses dias. A polícia sempre atua repreensivamente mesmo sobre turistas. Na Bolívia esteja preparado para pagar um sobre-preço no combustível, por ser turista. Como a gasolina é barata, os postos cobram mais dos estrangeiros, mesmo estando de moto.Evite situações de "disputa" no trânsito, pois em geral, o motorista boliviano não gosta de se sentir "passado para trás". Dirija sempre defensivamente. Cuidados redobrados devem ser tomados perto e/ou nas entradas das grande cidades bolivianas, pois, principalmente em horários de pico, o trânsito torna-se bastante desorganizado e caótico, chegando a expor motociclistas a situações de bastante periculosidade. Para os bolivianos é comum a cobrança de “pequenas propinas” por alguns policiais - é quase uma instituição, que eles chamam de “la contribuicion”. Basta ter poucos bolivianos (moeda local) previamente separados no bolso, caso lhe sejam solicitados. É mais fácil que tentar criar um incidente internacional! Recomenda-se atenção no quesito abastecimento, pois é muito comum a falta de combustível em postos de gasolina, especialmente nas cidades mais afastadas dos grandes centros. Essa situação se contorna procurando combustível em casas de populares, as conhecidas “gasolineras” - presença bastante comum em toda Bolívia.

A geografia do Peru dita o perfil das suas cidades: as regiões litorâneas tem cidades médias dispostas a consideráveis distâncias umas das outras. Esteja atento com o abastecimento, pois entre elas, não existem pequenas vilas. As cidades sobre a cordilheira, são menores e ficam mais perto umas das outras. Fique atento à alimentação nativa, que pode causar algum estranhamento de nossa parte, principalmente quanto ao atendimento e higiene. Em caso de dúvida, consuma alimentos e bebidas industrializados. A polícia peruana esta constantemente na rodovia monitorando documentos e manobras ilegais, e também é adepta da “caixinha”. Dentro das cidades, o trânsito pode parecer confuso devido à intensa circulação de triciclos "tuk-tuk" e vans de passageiros. Pilote defensivamente, e não adianta buzinar, pois isso eles fazem muito mais intensamente que nós. Dentre os povos da América do Sul, em geral, a índole do povo peruano está entre as mais humildes e simpáticas. Os motoristas peruanos costumam ter uma condução calma na estrada, mas também bastante ingênua, e se mostram com menor habilidade e intimidade com seus veículos, do que estamos acostumados no Brasil. No interior do país, os peruanos nãocostumam se orientar pelas distâncias, mas pelo tempo entre um ponto e outro, já que o país tem um relêvo bastante acidentado, com milhares de curvas fechadas nas estradas. Obviamente, é uma maneira bastante imprecisa, pois há uma variação natural de desempenho entre diferentes tipos de veículos.

Para rodar pelo Equador é necessário contratar o seguro SOAT - obrigatório e solicitado na entrada desse país, devendo ser apresentado junto com sua documentação de entrada. Fique atento ao transitar por Quito, sua capital, que mantém um sistema de rodízio que também se aplica à motos. A cidade nasceu no meio da cordilheira e é repleta de subidas e descidas. Fique atento à sinalização nas vias, além de se orientar por mapas e GPS - é um lugar fácil de se perder.

É comum encontrar o exército em barreiras nas rodovias colombianas, por isso, na rodovia Pan-americana já não existem incidentes com turistas e viajantes há algum tempo. A polícia colombiana é rigorosa, portanto respeite as leis de trânsito e os limites de velocidade locais. O colombiano é o povo sul-americano mais parecido com o brasileiro, em termos de simpatia e receptividade - realmente é muito fácil fazer amizade naquele país. Bogotá é uma cidade em pleno desenvolvimento e por isso está constantemente em obras, o que deixa o trânsito caótico, ajudado ainda pela forma que são dispostas suas ruas, com endereços dificílimos de serem encontrados. Até mesmo os taxis, são monitorados e conduzidos via central de rádio.

Na Venezuela, com sua gasolina barata, quase de graça, ninguém gosta de motores pequenos e nem sempre os motoristas respeitam os limites de velocidade. Pilote sempre atentamente, senão alguém pode, literalmente, passar por cima de você.

Com essas informações básicas, muito bom senso e um pouco de boa vontade, temos certeza que suas aventuras sul-americanas terão todos os ingredientes necessários para se tornarem extremamente prazerosas, e totalmente inesquecíveis. No mês que vem, falaremos sobre América Central e do Norte, não perca!!